Você me acusa de ter sido ausente; pode imaginar o quanto é terrível o dia em que os filhos vão embora? Já imaginou o gosto dessa ruptura? Vou contar o que acontece, a gente fica ali como um idiota, na soleira da porta, vendo vocês partirem, se convencendo de que é preciso incentivar essa separação, se alegrando com a irresponsabilidade que anima vocês e nos arranca um pedaço do ser. Fechada a porta, é preciso reaprender tudo; preencher os cômodos vazios, não controlar o barulho dos passos, esquecer os estalos tranquilizadores da escada quando chegavam tarde e podíamos finalmente dormir sossegados, passando no entanto a ser preciso ir buscar o sono em vão, já que vocês não estão mais prestes a chegar. Viu, minha Julia, mesmo assim, pai ou mãe nenhum se vangloriam e é isso amar, sem que se tenha outra escolha, uma vez que nós amamos vocês.
Tudo Aquilo que Nunca foi Dito, de Marc Levy